Ex-diretores do BC mudaram voto e autorizaram criação do Banco Master em 2019

Mudança de posição ocorreu em oito meses e levantou questionamentos após investigações sobre o caso

Quatro ex-diretores do Banco Central do Brasil mudaram seus votos em 2019 e, assim, autorizaram a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro. Com isso, a operação viabilizou a criação do Banco Master, após uma rejeição inicial meses antes.

Em fevereiro de 2019, ainda na gestão de Ilan Goldfajn, a diretoria votou contra o negócio. No entanto, em outubro do mesmo ano, já sob o comando de Roberto Campos Neto, o colegiado aprovou a operação por unanimidade, com placar de 8 a 0.

Mudança de entendimento

Entre os diretores que alteraram seus votos estão:

  • Otávio Ribeiro Damaso
  • Carolina de Assis Barros
  • Maurício Moura
  • Paulo Sérgio Neves de Souza

Inicialmente, a diretoria rejeitou a operação porque não encontrou clareza na origem dos recursos. Posteriormente, contudo, os responsáveis apresentaram uma nova estrutura financeira e, dessa forma, atenderam às exigências técnicas do órgão regulador.

Investigações e controvérsias

Com o avanço das investigações, o caso ganhou novos desdobramentos. O ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza deixou o cargo após suspeitas de recebimento de vantagens indevidas. Ao mesmo tempo, Daniel Vorcaro foi preso em apurações relacionadas a fraudes.

Além disso, o episódio entrou no centro do debate político. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva atribui responsabilidades à gestão anterior. Por outro lado, aliados de Jair Bolsonaro contestam essa interpretação.

Posição atual do Banco Central

Atualmente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirma que as investigações internas não identificaram responsabilidade direta de Roberto Campos Neto.

Ainda assim, o tema segue em debate. Nesse sentido, o deputado Lindbergh Farias criticou os mecanismos de controle interno e apontou possíveis falhas de supervisão.

Histórico e desdobramentos

Após a aprovação, a operação transformou o Banco Máxima no Banco Master. Anos depois, porém, a instituição enfrentou problemas de liquidez e precisou ajustar sua estrutura.

Diante disso, o caso continua gerando repercussão no meio político e financeiro. Além disso, ele levanta questionamentos sobre governança, supervisão e critérios de aprovação no sistema bancário brasileiro.

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